A reaficanizacão da cultura Baiana pelo Candomblé

Mestrado de Sociologia sobre as relações interétnicas e os conflitos de poder na supervisão de Angelina Peralva

Ao término desta pesquisa, mais aparentada a uma descrição orientada da realidade observada, pretendemos ressaltar a importância de uma tomada de consciência da extraordinária complexidade que representa a dinâmica da confrontação interétnica.

Para nós, o interétnico é a confrontação com a diferença e através desta confrontação aparentemente ressurge a velha problemática do posicionamento em relação ao outro, do olhar voltado para o outro, da implicação do “eu” no outro.
Esta reflexão nos conduz diretamente a margear as noções de ordem epistemológica que não cessaram de ocupar o meu espírito ao longo desta pesquisa, neste atual contexto de interpenetrações e de encontros culturais cada vez mais generalizados. Qual é o papel do antropólogo?
Qual é o verdadeiro equilíbrio entre o “sentir”, o “vibrar”, o “participar”, o “refletir” e o “analisar”?
O que ocorre com o distanciamento em face do objeto?

Não esconderia que eu de certo modo cheguei a me identificar com o meu objeto de análise. Se a escravatura deportou milhões de indivíduos para um solo desconhecido em condições hediondas, em minha escala individual, meu duplo pertencimento de franco-brasileiro é fruto de uma mestiçagem cujo resultado foi uma ruptura familiar, uma ruptura com toda uma cultura e um país.
Quando a minha pesquisa começou a se orientar para o Candomblé, encontrei-me diante de um problema que entravou consideravelmente a redação do meu trabalho. Como explorar a minha própria trajetória iniciática sem romper o segredo da iniciação? Igualmente pela iniciação, o pesquisador tem acesso a outras obrigações éticas que se mostram difíceis de se fazer coincidir com o raciocínio e o espírito científico.
Não qualificarei a minha permanência na comunidade do Ilê Axé Opô Aganjú como observação participativa, na medida em que a minha aceitação na comunidade equivaleu àquela de um Abiã, um homem em busca de um caminho espiritual e não àquela de um aprendiz sociólogo.
Este trabalho no terreiro de Ilê Axé Opô Aganjú possibilitou-me perceber os desafios externos do Candomblé.
Portanto, vamos agora nos ater a delinear as principais orientações possíveis deste trabalho.

Nesta pesquisa, ao nos voltarmos para o papel que a cultura Afro-brasileira desempenhou na expansão e no desenvolvimento de Salvador no contexto dos dias atuais, nosso questionamento nos leva a duas direções possíveis:

1 . O poder governamental escolheu levar a cabo uma política turística mediante a reabilitação do centro histórico de Salvador, praticando a expropriação dos antigos habitantes deste bairro popular. A globalização e esta janela aberta para o exterior, não seriam elas um meio de exacerbar com mais força a sua identidade de Afrodescendente?

2 . Por outra parte, do ponto de vista artístico, vários grupos internacionais vieram buscar inspiração nesta cultura Afro-brasileira (Paul Simon, Mickael Jackson através do grupo Olodum). Esta especificidade cultural Afro-Baiana atinge todas as esferas culturais da vida social, quer seja culinária, musical ou literária. O desenvolvimento deste ambiente cultural e identitária teria ele como fonte o religioso, o Candomblé?
Em outros termos, um ângulo de abordagem emerge destes dois eixos subjacentes. O Candomblé não serviria de catalizador para a identidade Afro-baiana, na medida em que ele é o detentor das tradições?

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