La resiliência de um viajante aos sapatos prateados

LIQUORI Fabien, La resiliência de um viajante aos sapatos prateados, édition EDILIVRE, 386p.

A resiliência de um viajante aos sapatos prateados questiona a noção de pertencimento cultural e o manejo da doença psíquica, através de um exemplo de processo de cura pelo Candomblé.
O autor compartilha seu desconforto e sofrimento pelo duplo desenraizamento: teve que ir embora do Brasil, patria do seu pai para se juntar à mãe na França e viver o caminho da integração; e sua própria identidade brasileira é baseada no desenraizamento africano, na memória dos descendentes de escravos.
Depois de ter interrompido sua vida profissional em Toulouse devido a um processo de invalidez , ele retornou na Bahia em busca do Brasil de Jorge Amado onde finalmente descobriu o trabalho do fotógrafo etnológo Pierre Verger e a religião do Candomblé através do Ilê Axé Opô Aganjú do Babalórixa OBARAYÍ.
Uma identificação com este pai simbólico transcultural e  Babalaô, Fatumbi, assim como com sua mãe afro-brasileira, YAKEKERÊ CiCi, parece ter permitido que Fabien Liquori contivesse o sofrimento do desenraizamento. Este livro testemunha uma "cura" e um esforço de sublimação.

Couverture du livre La légende de l'homme aux souliers d'argent de Fabien Liquori

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* Le livre est publié à titre d'auteur par Fabien Liquori. Sa commercialisation ne relève pas des activités de l'association Comunidade Horta Fatumbi.


Agradecimentos

O personagem de Pedro Arcanjo, Oju obá, no livro de Jorge Amado : “A Tenda dos Milagres” e o meu livro: “La Légende de l’homme aux souliers d’argent” [A resiliência de um viajante aos sapatos prateados] partem do mesmo postulado. Eu lanço o mesmo olhar sobre a encenação do modo de reprodução elitista da sociedade brasileira.
Da Universidade de Medicina de Salvador do início do século 20 à prestigiosa UFBA dos nossos dias, a situação em nada mudou.
E, no entanto, tive a satisfação de colaborar com professores engajados e comprometidos com as respectivas funções, dirigindo com responsabilidade todas as decisões do universo intelectual desta sociedade baiana (mas… este deveria ser o seu papel?) ainda esclerosada por 300 anos de tráfico negreiro.
Com este trabalho, procuro conferir visibilidade internacional a questões relativas à cultura afro-brasileira, relativamente às quais especialistas da minha disciplina em Salvador não demonstraram real interesse. Mas teria isso sido originado por uma sorte de complexo de superioridade, devido a um prestígio construído ao longo das décadas, fazendo da UFBA uma universidade de ponta no que diz respeito aos estudos acerca da diáspora africana?
Dispondo do monopólio sobre estas questões, ela teria dificuldades em ver o que se faz alhures. Ela prefere formar intelectuais em questões raciais com um protocolo estritamente organizado, deixando pouca margem de manobra para o surgimento de trabalhos inovadores, com base em uma abordagem metodológica recorrendo a referências externas e estrangeiras, distintas daquelas que fazem parte da formação sociológica dos seus próprios estudantes.
Encontrei nos trabalhos de Pierre Verger uma espécie de mentor intelectual para esclarecer o modo operatório e a leitura do meu trabalho, como se a sociologia se tornasse um meio de “sobrevivência”. Enquanto pequisador, meu eu interior pode assim se adaptar ao meio do meu campo, possibilitando-me levar a cabo a minha observação tal como um diafragma servindo de guia para a minha pesquisa.
Em um mundo no qual a rastreabilidade da informação se torna mais complexa, através das comunidades de pertencimento e de saberes, transformando-se em verdadeiros espelhos referenciais para uma educação sem livro das nossas jovens gerações, esta nova rastreabilidade da informação possibilita assim criar um diálogo cognitivo que permitiria aos usuários desta nova tecnologia de comunicação escaparem dos modos tradicionais de trocas entre um emissor e um receptor, para que o interlocutor substitua o seu discurso endereçado aos outros por uma forma de troca reflexiva consigo próprio.
Este novo médium tem como benefício para o indivíduo a ampliação e a modificação dos jogos discursivos formados pelos nossos convencionais critérios sociais de percepção.
Desta nova organização do saber e das relações sociais, a sociologia tem como missão futura encontrar novas formas de adaptabilidade, relativamente às quais os nossos pensadores da sociologia contemporânea estavam na incapacidade de antecipar a emergência deste mundo do virtual.
Desta constatação, pude medir e perceber novas hierarquias na globalização dos saberes e na sua difusão.
As sociedades com poder normativo menor ou com amplitude do mundo social maior, ou simplesmente nas sociedades da oralidade (partindo da minha constatação entre o Brasil e a França), demonstram maior adaptabilidade e impermeabilidade em relação às novas tecnologias que possibilitam a criação das formas mais justas de democratização dos saberes que garantem a emancipação de uma nova ordem mundial paralela e transnacional em relação às zonas geopolíticas convencionais.

 


Sociologia como fotografia 3D do real

A sociologia é uma ferramenta para refletir e colocar em perspectiva a realidade objetivada pela pesquisa científica de acordo com os padrões universitário.
Ao longo da minha experiência como pesquisador e educador social, chego à conclusão de que devemos usar a sociologia como uma câmera.

O fotógrafo nuances seu trabalho através de 3 dados variáveis

  • A velocidade (o tempo de exposição da fotografia)
  • A Luz (graças ao difragmo de sua câmera fotográfica, o fotógrafo capta mais ou menos luz para brincar com os contrastes da Claire / obscuro da fotografia).
  • O Focus (que graças à lente de sua câmera procura definir a nitidez da cena fotografada, jogando com sua lente no plano de perspectiva diferente.

O sociólogo também joga com a velocidade, que representa o tempo decorrido de sua observação, assim, sob um tempo cronológico, o sociólogo definirá seu objeto de análise.
A Luz é posta em jogo pela cartografia de seu campo, é através dela que vamos definir seu objeto de análise. É a senarização do seu espaço de trabalho. Dará sentido e alívio ao seu objeto para problematizar sua ação.
O sociólogo também usará o focos para analisar seu trabalho, então será sua métodologia ou abordagem sociológica que permitirá definir os contornos de seu objeto de pesquisa.

Ele usará em diferentes tempos sociológicos seu trabalho com mais ou menos distanciamento com seu objeto e o declínio de sua observação será mais ou menos variável.


Entrevistas em vídeo

Colocando meus vídeos online e acessíveis ao público no site, eu valido de alguma forma toda minha pesquisa e meu registro na realidade, tornando meu trabalho não apenas um discurso introspectivo, mas uma relação com indivíduos bem arraigados no mundo real e na minha história de vida.
Dá algo completamente original: ao validar do ponto de vista ético a ideia de que a entrevista filmada verifica o pressuposto de que o pesquisador está em situação de aprendizagem e que seu interlocutor reverte o relacionamento de dominação entre pesquisador-informante. De acordo com a qualidade da investigação, a precisão da pesquisa é diminuída pelo efeito do registro e, se os pesquisadores contornarem o problema por meio de entrevistas informais, temos o direito de nos questionar sobre a própria ética do trabalho de levantamento que deve sempre preservar a integridade da sua fonte.

 

Rio Vermelho CP 2102 41950-970 Salvador – Bahia – Brasil +55 (71) 3261 3400 +55 (71) 9993 42484 horta.fatumbi.fabi@gmail.com

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