orixa Omolú

Omolú

Awa kó fọ ẹ)ni ki o mọ pa (ẹ)ni jẹ

Não falamos de alguém que mata e come as pessoas

Nous ne parlons pas de quelqu´un qui tue et mange les gens

n˚2 p 265 Notas sobre o culto aos Orixás e voduns

L’homme-cathédrale

Dieu a imposé des limites aux hommes.
Quand je parle de Dieu, ça peut être la nature, ça peut être la Condition Humaine,
C’est juste une question de niveau et cela dépend de ce que vous croyez.
Pour certains, cette limite sera la famille ou les enfants,
Pour d’autres, ce sera le travail, l’amour ou l’éducation. Dieu m’a donné comme limite ma maladie. Et c’est sans doute parce que la nature est bien faite !
Et je tutoie tous les jours ses limites, je les repousse toujours plus loin.
Pourtant qui mieux qu’un « Bipolaire* » peut voir à quel point la folie humaine n’a pas de limite ?
Qui mieux que nous, malades psychiques, peut savoir à quel point l’homme est aliéné par sa propre folie ?
Vous ne pourrez jamais imaginer combien nous sommes en lien avec notre environnement,

Et combien nous sommes capables de percevoir la sensibilité du monde et de ses hommes.
Un jour, peut-être, je repousserai les limites du centre qui me soigne.

Parce que par-delà la psychanalyse, il existe quelque chose de plus haut et de plus grand,
Un puits sans fond... Ce sont les Orixás !
Et si l’homme est le fruit de son histoire pas seulement à l’échelle temporelle,

Il est aussi le vecteur de tout le capital émotionnel et historique de ses aïeux et peut-être même de sa descendance,

Et j’irai jusqu’à dire que par-delà les liens du sang,
L’histoire et l’amour que je tisse avec mes proches participent à la même communion de la vie.

Sur le fil du rasoir

C’est une sensation que peu de gens ont, terrible impulsion à connaître,
Être libre, être complètement libéré de sa famille, de ses amis,

De son environnement social et éducatif, libéré de son travail,
Libre de la sensation même d’exister.
Généralement, d’une expérience extrême comme celle-là,

On n’en revient pas, ou tout au moins, on n’en revient pas indemne.
Cette sensation quand on y goûte, on en veut encore, toujours plus et plus fort.

Se réfugier dans la sensation extrême de non existence
Être en dehors du temps et de l’espace,
Être à mi-chemin entre irréalité et irrationnel.

C’est une spirale qui nous happe, une fenêtre dans le vide. J’aimerais pouvoir à jamais fermer le volet,
Et ne plus rechercher cet abri de fortune.
J’aimerais en perdre la clef.

Planter solidement mes pieds dans cette terre,
Savoir humer cet air que je respire,
Savoir apprécier la valeur des choses à leur juste mesure et sans démesure.
Croire avec scepticisme,
Aimer sans m’y jeter à bras le corps,
Travailler sans m’acharner
Rêver sans m’étourdir
Vibrer sans désinhibition,
Oui, nous sommes des hommes-cathédrale.

De l’histoire collective à ma propre histoire

Vous ne pouvez pas savoir à quel point c’est difficile
De porter une maladie dont on ne connaît pas exactement l’origine,
Des causes, il y en a autant qu’il y a de Bipolaires,
Autant qu’il y a d’histoires de vie.
On parle de maladie aux divers facteurs, à savoir un terrain génétique et des facteurs sociaux
Et psychologiques.
Mais cela ne me conforte point de savoir qu’un lointain aïeul portait les mêmes signes
Ou ces chromosomes bandits.
Mais jusqu’où faut-il remonter la chaîne ?
J’aimerais faire un parallèle entre mon histoire et celle des Orixás.

Je veux croire que quelque part, parmi le plus lointain de mes aïeux,
Il y avait un homme empli de bravoure, un homme valeureux,
Un homme qui a accompli une légende.

Et qu’au plus profond de moi, cette maladie n’est qu’un souvenir de lui,
Pour me souvenir de ses actes et de sa destinée.
Je porte en moi son souvenir lointain,

Je porte en moi sa mémoire,
Et moi-même, je continuerai, à travers mon vécu, cette chaîne
Qui s’est tissée depuis des centaines d’années.
Si l’histoire de mon héros est oubliée,
Je porte en moi à travers ma maladie,
L’histoire de sa volonté à se surpasser.
Et à mon tour, en homme simple, mon histoire est
Celle d’un homme ordinaire.
Au milieu de cette chaîne qui a traversé le temps
J’ai pour mission de me battre contre mes démons.
Et de ces épreuves, j’en transmettrai les luttes,
La victoire contre la maladie, Les doutes face au désespoir.
Ce chromosome bandit est coriace, il prend à chaque fois de nouvelles formes,
De nouvelles adaptations face à son temps, à son époque,
De ma lignée, qui en sera le digne héritier ?
Si aujourd’hui je lutte, c’est aussi pour toi, noble chevalier,
Si j’apprends à me connaître, à connaître « ma » maladie,
C’est aussi pour toi, je te fais héritier toi aussi
De mon patrimoine émotionnel qui t’armera
Que mieux pour le combat.

O homem catedral

Deus impôs limites aos homens.
Quando falo de Deus, tanto pode ser a Natureza como a Condição Humana,
É apenas uma questão de nível e depende de sua crença.

Para alguns, esse limite será a família ou os filhos,
Para outros, será o trabalho, o amor ou a educação.

Para mim, Deus me deu o limite de minha doença.

E, certamente, porque a Natureza é bem-feita!

E todos os dias desafio seus limites, os empurro cada vez mais além.
Porém, quem melhor que um «Bipolar*» para observar até que ponto a loucura humana supera os limites?

Quem melhor que nós, doentes psíquicos, pode saber até que ponto o homem pode ser alienado por sua loucura? Quão alienado pode ser o homem por sua própria loucura?

Você nunca poderá imaginar como estamos ligados ao que nos rodeia,

E como somos capazes de apreender a sensibilidade do mundo e dos homens.
Um dia, talvez, rejeite os limites do centro que me cuida.

Porque além da psicanálise, existe algo mais elevado e maior,
Um poço sem fundo... Os Orixás!
E se o homem é o fruto de sua história, não somente à escala do tempo,

Ele também é vetor de todo o capital emocional e histórico de seus antepassados e quiçá até de sua descendência,
E até diria para além dos laços de sangue,
A história e o amor que eu teço com meus entes queridos participam da mesma comunhão da vida.

Sobre o fio da navalha

É uma sensação que poucas pessoas experimentam, impulso terrível de suportar,
Estar livre, completamente liberado de sua família, de seus amigos,

De seu meio social e educativo, liberado de seu trabalho,
Livre até da sensação de existir.
Geralmente, de uma experiência extrema como essa,

Não se volta o mesmo, ou pelo menos, não se volta indene.
Esta sensação, quando a saboreamos uma vez, desejamos mais, cada vez mais e mais forte.

Se refugiar na sensação extrema de não existir
Fora do tempo e do espaço,
A meio caminho entre irrealidade e irracional.

É uma espiral que nos alicia, uma janela para o vazio.

Gostaria de poder fechar a persiana definitivamente,
E nunca mais buscar este abrigo improvisado.
Gostaria de perder a chave dessa porta.

Enterrar seguramente meus pés nesta terra,
Sentir o cheiro do ar que respiro,
Saber apreciar o valor das coisas à sua justa medida e sem excesso.
Acreditar com cepticismo,
Amar sem me implicar desmedidamente,
Trabalhar sem me obstinar
Sonhar sem me atordoar
Vibrar sem desinibição,
Sim, somos homens catedrais.

Da história coletiva a minha história pessoal

Você não pode calcular como é difícil
Sofrer de uma doença cuja origem não se conhece exatamente,
As causas são tantas quanto o número de doentes Bipolares,
Tantas quanto as histórias de vida.
É referida como doença de vários fatores, a saber um patrimônio genético e fatores sociais
E psicológicos.
Mas isso não me dá esperança alguma, saber que um antepassado longínquo sofria dos mesmos sintomas
Ou possuía esses cromossomas bandidos.
E até onde é preciso recuar na cadeia?
Gostaria de fazer uma comparação entre minha história e a história dos Orixás.

Eu quero acreditar que algures, entre o mais longínquo de meus antepassados
Havia um homem repleto de bravura, um homem valoroso,
Um homem que concretizou uma lenda.

E que no mais profundo de mim, essa doença é apenas a recordação dele,
Para me recordar seus atos e seu destino.
Trago em mim sua recordação longínqua,

Trago em mim sua memória,
E eu próprio, continuarei, através de minha vivência, essa cadeia
Que se tece desde há centenas de anos.
Se a história de meu herói é esquecida,
Trago em mim, através de minha doença,
A história de sua vontade de autossuperação.
E agora é minha vez, simples homem, minha história é a de um homem comum.
No meio desta cadeia que atravessou o tempo
Minha missão consiste em lutar contra meus demônios.
E dessas provações, transmitir minhas batalhas,
A vitória contra a doença,
Duvidar face ao desespero.
Este cromossoma bandido é resistente, ele pega sem cessa novas formas,
Novas adaptações a cada era, a cada época, De minha estirpe, quem será o digno herdeiro?
Se hoje estou lutando, é por ti, nobre cavaleiro,
Se hoje aprendo a me conhecer, a conhecer «minha» doença,
É também por ti, te designo herdeiro
De meu patrimônio emocional que te armará
Melhor para o combate.

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